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21 setembro 2013

Quem é você, Alasca? - John Green

Quem é você, Alasca?  - John Green
229 páginas - Editora WMF Martins Fontes
Avaliação: 5/5

Sinopse: Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".







"Se as pessoas fossem chuva, eu era a garoa e ela, um furacão."

O livro é divido em duas partes. A primeira é uma contagem regressiva até o "grande acontecimento" -vamos chamar assim- da história e a segunda com tudo que aconteceu depois.

Tudo começa com Miles se mudando para um colégio interno. Um garoto tímido, de poucos amigos (ou nenhum), colecionador de últimas palavras que está em busca do seu "Grande Talvez". Quando chega na escola, parece que a história muda e tudo se volta para Alasca - a melhor amiga do seu novo colega de quarto, Coronel.

Alasca é intensa e cheia de oscilações de humor, ora queremos amá-la, ora odiá-la. Imprevisível, faz o que lhe dá na telha, na hora que lhe dá na telha. Mas dentro desse furacão, existe uma garota que se sente tremendamente infeliz e culpada por coisas que não consegue esquecer. Alasca foge dos "porquês" e se torna um enigma para todos ao seu redor, mas todas essas características só fazem Miles ficar ainda mais obcecado por ela. 

Esse universo de viver longe dos pais ainda é novo para Miles, que acaba tendo seu primeiro contato com cigarros e bebidas. Em meio às conversas sem sentido, as risadas e todos os momentos ao lado dos amigos, ele percebe que cada um tem um motivo especial para estar ali, coisas que vão além de um ensino de qualidade; Mas não sabe qual é o de Alasca, que sequer volta para casa nos feriados.

Ela tinha o costume de surpreender a todos, mas em determinado momento a surpresa não foi nada agradável...

A narrativa do livro é muito boa e intensa, a história -ao meu ver- não segue nenhum clichê e é muito legal ler tudo pelo ponto de vista de um personagem masculino. É daquele tipo que a gente não consegue largar até terminar.

Meu segundo John Green e posso dizer que ele me surpreendeu mais uma vez, acho que a forte característica dele é  escrever sobre jovens para jovens. Mas de um jeito mais diferenciado, ele não cria aquele mundo de fantasia, de "a vida que você queria ter", ele insere assuntos reais, coisas que todos passam e sentem. Sempre leva a algum tipo de reflexão. Existe uma forte identificação que não é forçada, não é um autor tentando escrever com a cabeça de um adolescente.
Acho que esse é o grande diferencial do John.

07 setembro 2013

As Vantagens De Ser Invisível - Stephen Chbosky

As Vantagens De Ser Invisível - Stephen Chbosky
224 páginas - Editora Rocco
Avaliação: 5/5

Sinopse: Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.
Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.




 "Não sei quanto tempo eu posso continuar sem um amigo. Eu costumava ser capaz de fazer isso com muita facilidade, mas foi antes de eu saber como era ter um amigo. É muito mais fácil não saber das coisas de vez em quando."

Charlie é um garoto de 16 anos que tem alguns pequenos problemas para fazer amizades, o começo de um novo ano escolar acabou se tornando mais difícil pela perda de seu melhor amigo que cometeu suicídio. 
Ele é um garoto quieto e observador, passa a maior parte do tempo "em seu canto". Pela falta de amigos e grandes convívios sociais, não entende muitas coisas, é extremamente inocente - o que às vezes nos faz rir, mas traz uma preocupação enorme.

Acaba ficando amigo de Sam -por quem nutre uma paixão- e Patrick, duas pessoas totalmente opostas a sua realidade. E é a partir daí que Charlie começa a "viver", ir para as festas, conhece o álcool e as drogas, dá o seu primeiro beijo. E através de suas conversas com os amigos, é que podemos começar a entender um pouco do que se passa na cabeça dele. 

Charlie é do tipo de pessoa que quer sempre ser o melhor amigo de alguém, quer sempre fazer o melhor para os outros. Decora cada pequeno detalhe do que as pessoas gostam, ele realmente se importa, o que nem sempre é recíproco.

O livro é narrado pela perspectiva de Charlie em forma de cartas a uma pessoa desconhecida, um jeito que lhe foi sugerido para superar a morte do amigo. Ele conta o que vai acontecendo e coisas já passadas. Porém, ele tem alguns lapsos de memória e isso dificulta um pouco o entendimento dos problemas dele. Sabemos que há algo de errado, mas não conseguimos identificar o quê e porquê.

Posso defini-lo como intenso e perturbador. O enredo tem muitas críticas sociais envolvidas, inclusive o grande problema de Charlie. Tanto é, que quando conseguimos entender tudo o que passou, ficamos chocados e abalados. São coisas que acontecem todos os dias, em todos os lugares. Já parou para pensar em quantos "Charlie's" existem por aí?


A forma como o livro se desenvolve, com certeza, é um grande ponto a favor. Ler as cartas dele ao "Querido Amigo" traz uma proximidade muito grande, nos faz sentir essa pessoa que recebe as correspondências. É possível saber exatamente o que ele sente e a forma como pensa, mas é capaz de nos deixar malucos com tantas dúvidas.
Mas, acredite, todas as respostas estão lá.

Charlie nos faz rir, nos emociona e nos preocupa o tempo todo. É uma ótima leitura, vale muito a pena.

"Então, esta é minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim."

O livro virou filme ano passado. Eu assisti e gostei bastante, apesar de mudarem a ordem cronológica dos fatos e tirarem alguns acontecimentos importantes, ficou bem legal.

O lindinho Logan Lerman faz o Charlie, a Emma Watson a Sam e o Ezra Miller o Patrick ;)

26 agosto 2013

O Futuro De Nós Dois - Jay Asher, Carolyn Mackler

O Futuro de Nós DoisO Futuro De Nós Dois - Jay Asher e Carolyn Mackler
384 páginas - Galera Record
Avaliação: 4/5

Sinopse: É 1996, e menos da metade dos alunos das escolas de ensino médio nos Estados Unidos já tinham usado a internet. Emma acaba de ganhar o primeiro computador e um CD-ROM da America Online de Josh, seu melhor amigo. E ao instalar o programa, logo no primeiro acesso, descobrem que acabam de entrar no Facebook, dali a quinze anos. Todos se perguntam como será o futuro. Josh e Emma estão prestes a descobrir...





~Meu segundo livro do Jay, ai que emoção~


No ano de 1996, Emma ganha um computador de seu pai -que mora em outra cidade e já está casado com outra pessoa -, seu melhor amigo Josh lhe dá um CD da AOL para que ela possa criar um e-mail. Mas ao instalá-lo, Emma é surpreendida com um site diferente e totalmente estranho: o Facebook. A partir dali, Emma e Josh passam a explorá-lo e tentam não acreditar que estão diante de algo do futuro.
Mas será que saber sobre sua vida daqui 15 anos é algo saudável?

Emma e Josh tentam explorar cuidadosamente o conteúdo do site, mas ela não se contém e quer a todo custo decifrar as mensagens postadas por ela mesma no futuro, o que acaba desencadeando uma série de acontecimentos. A partir daí a história começa a se "movimentar" e eu garanto que você não vai mais desgrudar do livro.

Josh procura se manter neutro e pouco entusiasmado, acha perigoso brincar com a situação. Já Emma fica um pouco neurótica e tenta, por diversas vezes, ter tudo sob controle, mas acaba envolvendo o futuro de outras pessoas na história; E devido à tanta informação nova sobre tantas coisas, ela fica um pouco "fora de si" e tem algumas atitudes inexplicáveis.

Achei as reações deles ao site um tanto quanto forçadas, aquela coisa de "aimeudeusdocéu, que isso?", é a única coisa "negativa" que tenho a dizer do livro. No geral, o clima dos anos 1990  e toda aquela coisa de computador ainda ser uma novidade é muito nostálgico, e dá um certo encanto à narrativa. Fica gostoso de ler.
E ele é narrado por Emma e Josh, sempre alternando os pontos de vista. O que também torna a leitura muito mais atrativa.

E aí, você já leu? Gostou?





19 agosto 2013

Precisamos Falar Sobre Kevin - Lionel Shriver

Precisamos Falar Sobre Kevin - Lionel Shriver
464 páginas - Editora Intrínseca
Avaliação: 2/5

Sinopse: Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.





O livro se desenvolve com Eva enviando cartas ao marido, contanto como vai sua vida desde o ocorrido com Kevin. Ela relembra os momentos do casamento antes de ter filhos, quando os dois discutiam por não concordarem com a ideia: ela não queria ser mãe, mas ele queria muito ser pai. 
Eva vai se recordando dos momentos com os amigos, da sua carreira profissional bem sucedida e de tudo que podia fazer sem ter que se preocupar com "alguém para cuidar".

O filho Kevin nunca foi uma criança exemplar, sempre deu problema, sempre deu dor de cabeça. Mas quem é que poderia imaginar que ele seria capaz de fazer tal coisa? Ainda mais sem motivo aparente, fez porque teve vontade de fazer e pronto. E como se não bastasse, se sentiu extremamente orgulhoso após a chacina.

De início, não há muito o que se falar. A narrativa na primeira parte do livro é confusa e cansativa, em certos momentos não dá para entender direito o que está acontecendo. E durante muitas páginas, temos apenas Eva falando sobre ela e tudo o que está passando, sobre Kevin apenas pequenas passagens que não tem relação com o ocorrido. 
A decepção veio porque fui ler o livro interessada demais na história, afinal essa sinopse deixa qualquer um curioso, mas a autora estende demais os pensamentos da mãe. Ela é extremamente detalhista, narra as cenas com exímia perfeição -o que é bom-, mas acaba levando o foco para outras coisas. Aí se passam três/quatro capítulos e o mínimo acontece, e nós continuamos na "mesma". 

A coisa só muda lá pela página 100 e aí sim o livro se torna realmente bom. A forma como se fala de Kevin é o que mais chama atenção, sem rodeios, sem tentar fazer parecer "menos pior". Eva fez o que toda mãe faria, tentou consertar o filho... Sem sucesso.

A história é realmente muito forte. Acredito que não é qualquer um que vá conseguir ler, eu mesma travei uma batalha com o livro. Comecei a ler e parei, depois decidi dar mais uma chance. Ele não é ruim, é muito bom sim em vários aspectos, mas não conseguiu suprir as minhas expectativas. 

13 agosto 2013

A Culpa É Das Estrelas - John Green

A Culpa É Das Estrelas - John Green
288 páginas - Editora Intrínseca
Avaliação: 5/5

Sinopse: A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.

Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar. 



"Livros tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição."





O primeiro John Green a gente nunca esquece <3

Hazel tem câncer nos pulmões e precisa levar um cilindro de oxigênio para todos os lugares, o que dificultava que ela pudesse sair com frequência. Ela ficava o tempo todo em casa lendo e relendo seu livro favorito, Uma Aflição Imperial, e assistindo American Next Top Models com os pais.
Eventualmente frequentava reuniões de um grupo de apoio a jovens com câncer, certa vez em uma dessas reuniões - que ela sempre achava monótonas - conheceu Augustus Waters, um rapaz alegre e de bem com vida que havia acabado de se recuperar da doença.

Aos poucos se aproximaram, se tornaram amigos. Após implicâncias e implicâncias, começaram a namorar. Hazel recuperou a alegria que lhe "faltava" na vida, tornou-se outra pessoa. Um dia confessou ao namorado que escreveu diversas cartas ao seu autor favorito, mas nunca obtivera resposta. Augustus então resolve fazer uma surpresa e consegue algo que ela jamais poderia imaginar.

Juntos irão viver um lindo e inesquecível momento. Que apesar de não acontecer da forma planejada, tornou-se extremamente especial para os dois.

O livro é repleto de humor e sarcasmo, embora também tenha lá seus momentos tristes. Eu não sabia como era a escrita do John Green, mas gostei desse estilo mais descontraído, fica muito mais leve falar sobre um assunto tão complicado. A história é linda, confesso que cheguei a chorar. Eu não sou muito fã de romances e coisas do gênero, mas tiro o chapéu pra esse livro. De verdade.

É diferente, sabe? O foco não é a doença, o autor não quer que você sinta pena de ninguém ali, não é apelativo. É fofo, simples e mostra que o amor realmente supera muitas barreiras.  Mas, como tudo na vida, as coisas nem sempre acontecem da forma que queremos.

É John Green, eu acho que também leria até sua lista de compras do supermercado.

07 agosto 2013

Extraordinário - R.J. Palacio

ExtraordinárioExtraordinário - R.J. Palacio
320 páginas - Editora Intrínseca
Avaliação: 5/5

Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.



"Se eu encontrasse uma lâmpada mágica e pudesse fazer um desejo, pediria para ter um rosto comum, que as pessoas nunca prestassem atenção."

Auggie nunca havia ido à escola, estudava em casa com a mãe e passava todos os seus dias brincando com a cadelinha Daisy. Já havia passado por diversas cirurgias e tratamentos, um delas o permitiu que pudesse falar e se alimentar sozinho, o que antes era feito por uma sonda. Seus pais cogitavam a possibilidade de colocá-lo em um colégio, para que pudesse conviver com outras crianças e não se limitar ao que a mãe podia ensiná-lo. Ele é pego de surpresa pela notícia, depois de muito relutar acaba concordando com a ideia. E é a partir daí que sua vida começa a mudar. 

Sua adaptação no colégio não foi das mais fáceis, já que era uma instituição destinada à classe média e alta e o processo de admissão era dificílimo. O diretor organizou um comitê de boas vidas a Auggie antes do início das aulas com o intuito de familiarizá-lo ao ambiente escolar, um grupo de quatro alunos lhe mostrou todo o prédio. Todos lhe trataram bem, com exceção de um.

Acho que todos podem imaginar como foi essa experiência de estar em uma escola pela primeira vez para ele, mas a narrativa faz toda a diferença nesse livro, é tão simples e ao mesmo tempo tão encantadora. E vai mudando de perspectiva conforme trocam-se os narradores, nos ajuda a compreender melhor alguns acontecimentos e a criar afeto por todos os personagens. Diferentemente de ter um principal e demais personagens secundários -não que não tenha-, acho que a autora faz questão de mostrar a importância de cada um no contexto de cada cena. E isso faz toda a diferença, isso deixa o livro muito completo.

Dá vontade de entrar no livro e roubar o Auggie pra mim <3

Não dá pra explicar a sensação de finalizar esse livro, é tudo tão sincero, tão puro. Sei que parece bobagem falar dessa forma de uma história, de um personagem de ficção, mas sabe quando a coisa é tão bem feita, tão bem escrita que a gente não consegue pensar em mais nada pelo resto da semana? É exatamente como me senti após terminar essa leitura.

Comecei a ler sem expectativa nenhuma, mas acabei me apaixonando já na segunda página. Uma das minhas melhores leituras do ano, com toda certeza. Mais do que recomendado.



06 agosto 2013

Os 13 Porquês - Jay Asher



Os 13 porquêsOs 13 Porquês - Jay Asher
256 páginas - Editora Ática
Avaliação: 5/5

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.





"Minha raiva e frustração sobre todos vocês viraram lágrimas, que viravam raiva e ódio toda vez que eu encontrava uma nova conexão."

Clay, ao chegar do colégio, se depara com um pacote endereçado a ele em sua porta. Sem remetente, mal podia fazer ideia do que se tratava.
Hannah, sua colega de escola, havia se suicidado e ninguém sabia exatamente o porquê. Mas naquele pacote estavam fitas que traziam à tona os 13 motivos que a levaram a tomar tal decisão e, surpreendentemente, Clay estava incluso nas gravações. Ele não conseguia compreender o porquê, já que era pouco próximo de Hannah e quase não mantinham contato, embora ele nutrisse sentimentos por ela, sentimentos que nunca conseguira expor.

Hannah sofria as hostilidades do mundo adolescente, não conseguia suportar a virada que  sua vida sofreu devido à coisas tão bobas e imaturas. Desistiu de continuar, como outros milhares de jovens pelo mundo. Não, essa não é uma história sobre bullying. É perturbadora, chega a doer ver o sofrimento de Clay ao ouvir as fitas, vê-lo perceber que já era tarde demais. Ouvir ali cada detalhe, de cada pessoa, de tudo que contribuiu com o sofrimento dela. 

Acabei descobrindo o livro por acaso, a história me chamou atenção e resolvi arriscar. Não me arrependi. A narrativa é intensa, o autor consegue expor com muita sinceridade os sentimentos de Hannah, não houve um momento em que eu não conseguisse imaginar com facilidade a cena que estava lendo. Após terminar, tive aquela leve depressão pós-leitura, me fez refletir sobre muitas coisas. Acredito que o livro traz uma grande e importante questão: tudo que dizemos e fazemos reflete de alguma forma nas pessoas, por mais que às vezes seja difícil de perceber. Todos os nossos atos tem um peso, sejam bons ou ruins. No fundo, precisamos observar um pouco melhor quem está a nossa volta.

Uma ótima leitura, recomendo a todos. E preparem os lencinhos! 



Apesar de extremamente real, vale lembrar que a história é totalmente fictícia.